Não tem criança na política

03/06/2014 - 07:40
marcelo e zé Filho

Zé Filho e Marcelo Castro, imbróglio prevísivel

A substituição de Marcelo Castro por Zé Filho no PMDB era mais do que uma carta marcada. Não deveria ter provocado este alvoroço todo. Afinal de contas, era o que mais se especulava, nos últimos dois meses. Aliás, a candidatura de Castro, talvez, não tenha decolado, justamente, pelo artifício da dúvida. É verdade que em reinteradas oportunidades o governador declarou apoio ao correligionário, mas também é verdade que sinalizou o seu desejo de ter uma chance no pleito.

A situação era tão esdrúxula que em quase todas as oportunidades o deputado Marcelo Castro era chamado para dizer que era o candidato e não Zé Filho, tendo este cenário sido anunciado no início do na o. Como podem ignorar a força do governador numa sucessão? A inabilidade na condução deste processo não deve ser creditada ao ex-governador Wilson Martins somente como muitos pregam.

O próprio Sílvio Mendes reconhecia, ontem, que todos erraram neste processo. O que não poderia ter acontecido era a encenação, a vitimização. Além de não combinar com a imagem do deputado Marcelo Castro, de onde a fragilidade passa longe, deixa mais um lastro a ser reconstruído dentro da aliança governista e que demora para ser – se for – restabelecido. Como não tem criança na política, é inadmissível que estes erros continuem a acontecer a esta altura do campeonato. E, por fim, como não entender o recado de Zé Filho no seu ato de posse? Ao citar a frase de Mahatma Gandhi, “Primeiro eles te ignoram, depois riem de você, depois brigam e então você vence”, ali, de cara, deu todos os sinais de que não seria mero coadjuvante no processo. Doido, sem ser, é quem achou o contrário.

Pensando bem…

Se Marcelo Castro disse que foi injustiçado e traído, qual palavra o governador Zé Filho usaria para definir sua condição, há poucos meses, quando foi preterido pelo colega de partido?

Sílvio Mendes duplamente derrotado

O ex-prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, sai igualmente da chapa governista, como Marcelo Castro, mas preferiu deixar no ar a possibilidade de encabeçar uma segunda chapa de oposição. Do jeito que está para Zé Filho, acredito que ele até torce por este cenário. Mas, sabe que o tucano blefa alto. Primeiro que faltam a Sílvio Mendes duas peças-chave para levar adiante tal propósito – capacidade de diálogo e aliados dispostos a abrir mão da sombra governista. Ademais, o governador tinha conhecimento do que fora acertado e, mesmo que os acordos não amanheçam mais nestes tempos difíceis, havia sido dito que o PSDB permaneceria na base, podendo indicar o novo nome.

O que poucos se arriscam a dizer é que todo este imbróglio começou lá trás, quando o mesmo Sílvio Mendes vetou o nome de Zé Filho. Topou ser vice do deputado federal Marcelo Castro, mas não do então vice-governador que estava na iminência de assumir o Palácio de Karnak. E porque Sílvio sai duplamente derrotado ? Porque não sai candidato, nem conta mais com o apoio do seu partido. Calado, na muda, comportamento típico de quem se resguarda para o grande final, o prefeito Firmino Filho é quem ditará o rumo dos tucanos e, assim, retomará a força política que lhe é devida e motivo de muitas intrigas no ninho. E não adianta virem dizer que não existe disputa entre Sílvio e Firmino porque é balela.

Firmino reúne tucanos em sua casa

O prefeito de Teresina recebeu lideranças em sua residência, na noite desta segunda-feira, até sabe-se lá que horas da madrugada. Está cozinhando galo. O destino do PSDB foi traçado lá trás, com o governador Zé Filho e antes mesmo dele assumir o Palácio de Karnak.

A insegurança de Wellington Dias

O senador Wellington Dias não conhece governador. Já questionou a várias pessoas “como é o Zé Filho?”. O que Dias conhece bem é a força de uma candidatura no Governo, o seu poder de convencimento, como a máquina – e aqui me refiro apenas à estrutura dos cargos – pode reverter a simpatia em apoiamento político, sua capilaridade por todo Estado. O ex-governador está diante de um adversário que não conhece, foi ignorado e subestimado. Mas, que já mostrou muito ao desestruturar o arranjo bem elaborado do ex-governador Wilson Martins, este último que conseguiu driblar o próprio Dias.

Wellington Dias não poupa Wilson Martins

Em suas declarações públicas, o senador Wellington Dias é sempre escorregadio. Liso como se diz no popular. Mas, tem uma figura que não poupa: o ex-governador Wilson Martins. Ontem, dizia que sua coligação está em paz, segura, existe respeito e união. “Aqui ninguém veta, nem tratora”, alfinetou.

Mão Santa e seu vice – dupla explosiva

O ex-senador Mão Santa não sai da disputa como se previa – e até mesmo ele dito – com seu sobrinho o governador Zé Filho no páreo. No  fim de semana, esteve em algumas cidades da grande Teresina, mas encontrou tempo e conversou bastante com o vereador Antônio José Lira (DEM) a quem convidou para ser seu candidato a vice.

Como não tem nada a perder, Lira está pensando seriamente na possibilidade de engrossar o coro da oposição no pleito de outubro próximo. A diferença consiste, apenas, no conceito de oposição para esta turma. Os adversários em questão será o senador Wellington Dias.

A Copa é Nossa

Impossível não fazer alguns registros aqui para melhor informar nossos leitores sobre a Copa do Mundo que se avizinha. Não somos críticos contumazes daquele que se propõe a ser um dos maiores eventos esportivos do mundo, mas, paciência, não se admite a situação de aeroportos inacabados nas cidades-sede. Isso a menos de 10 dias do campeonato. Lá trás, quando escolhido, o Brasil teve a oportunidade de mostrar ao Comitê Gestor ( e ao mundo) que é suficiente maduro para bem receber visitantes e esportistas.

Preferiu fazer beicinho, se mostrar indignado frente às severas críticas, bem ao estilo europeu, dos atrasos no cronograma estabelecido para evitar os constrangimentos como os que se vê agora. Incrivelmente, estes aeroportos serão maquiados para não revelar tamanha desorganização e os canteiros ainda instalados, sem previsão de término das obras.