Governador propõe acompanhamento de pessoas do grupo de risco da Covid-19

18/05/2020 - 13:18

Com as medidas restritivas adotadas nos últimos três dias, o Piauí alcançou o índice de 55,4% de isolamento domiciliar, além da redução dos acidentes de trânsito. Ao mesmo tempo que comemora o resultado, o governador Wellington Dias já propõe novas medidas, desta vez voltadas para um maior acompanhamento das pessoas que estão no grupo de risco da Covid-19.

As pautas foram debatidas nesta segunda-feira (18), em audiência por videoconferência com o prefeito de Teresina, Firmino Filho; o presidente da Associação Piauiense de Municípios (APPM), Jonas Moura; o secretário de Governo, Osmar Júnior; e o secretário de Estado da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos, José Santana. Trata-se do acompanhamento das medidas adotadas ao enfrentamento da Covid-19 e do Programa Busca Ativa.

“Nesse fim de semana, o Piauí chegou a um indicador de isolamento maior que os de estados que estão com lockdown, ficando entre os melhores do Brasil. Os efeitos do decreto que ampliou as restrições a atividades comerciais e o deslocamento de pessoas durante o feriado prolongado, refletiu também nas estatísticas de violência no trânsito, registrando apenas oito acidentes, quando o costumeiro é cerca de 80. Alcançamos o objetivo”, disse Wellington.

Programa Busca Ativa

Durante a reunião, o governador aproveitou para propor o reforço do Programa Busca Ativa, que rastreia pessoas possivelmente contaminadas pelo novo coronavírus e faz a aplicação de testes para identificar pacientes positivados. “A ideia é realizar um trabalho direto com pessoas do grupo de risco, que são as com mais de 60 anos e as que possuem comorbidades. Dos 80 óbitos no estado, 90% são desse grupo, o que torna necessário o rastreamento e acompanhamento das condições de saúde, de higiene e de isolamento domiciliar”, pontuou Dias.

Outra vertente a ser trabalhada no Busca Ativa é o isolamento e tratamento precoce de pessoas que podem transmitir o vírus para muitas outras. “O ideal é que possamos descobrir quem são e fazer um trabalho preventivo. A taxa de reprodução semanal no Brasil está em aproximadamente 1.5, ou seja, uma pessoa com Covid-19 infecta outras cinco. Dos 36 mil casos, 20 mil estão num nível alto de transmissibilidade, portanto, precisamos pensar em uma solução para prevenir isso. Acredito que possamos começar com uma grande campanha para cadastrar todos, principalmente os que estão no grupo de risco, no aplicativo Monitora Covid-19”, atentou o governador.

Para Firmino Filho, a testagem, acompanhamento e cadastro da população no Monitora Covid-19 são pontos chaves para desacelerar a curva de transmissão e de óbitos. “Estamos chegando na fase em que vai haver a aceleração dos casos positivos em Teresina e, em sequência, em todo o estado. Essa estratégia proposta de rastreamento dos casos positivados e o isolamento dessas pessoas é ideal. Esse trabalho preventivo tem que ser acionado, a atenção básica também é essencial e, junto ao cadastramento no aplicativo Monitora Covid-19, podemos ter a chance de monitorar e evitar que o paciente chegue na consulta já em estado grave”, destacou o gestor.

Ocupação de leitos e ação conjunta

O prefeito de Teresina ainda fez um alerta em relação à ocupação dos leitos de UTIs, que tem aumentado na capital. “Se nesta semana houver a mesma taxa de internações em leitos de UTIs para Covid-19, teremos uma situação dramática e a população precisa estar ciente e em alerta. Também tivemos o crescimento, na casa de 80%, de consultas gripais e internações em geral também aumentaram. Nesta semana é razoável que possamos reverter os leitos normais para os dedicados à Covid-19, uma vez que estamos entrando na curva acelerada da transmissão do vírus”, acrescentou Firmino.

Na reunião, também ficou acertado que haverá um diálogo com os municípios para a adoção de medidas em conjunto. “É importante que esse diálogo chegue aos municípios para entenderem a importância da testagem da população. O trabalho in loco dos agentes de saúde é fundamental para esse acompanhamento, pois muitos têm recorrido ao sistema de saúde só quando estão em situação grave e, por esse motivo temos perdido vidas. As próximas semanas e meses serão difíceis e precisamos estar preparados para enfrentar mais essa fase da batalha contra o novo coronavírus”, afirmou o presidente da APPM, Jonas Moura.